Boa música para ouvidos bons

Para todas as mulheres fortes que conheço, que desafiam a conjuntura machista. E para todos, um bom exemplo de ótima música e cantora brasileiras. Vale a pena conferir Pagu na voz de Maria Rita!

Coca-Cola e Pepsi acabam com propagandas direcionadas a crianças

Não é novidade para ninguém que os refrigerantes de cola são bastante prejudiciais à saúde. Entre eles, o mais vendido e comercializado em 140 países: a Coca-Cola. O fato novo é que a Coca-Cola e a Pepsi decidiram pôr fim às propagandas direcionadas a crianças menores de 12 anos, até o fim do ano.

No entanto, a decisão das multinacionais nada tem a ver com consciência dos malefícios do produto para crianças, principalmente em relação à obesidade. Na verdade, a decisão é uma jogada inteligente das marcas, que querem se afastar do perigo de serem acuadas, como as empresas de tabaco foram.

Hoje, existem processos contra empresas de cigarro acusando as propagandas das marcas de serem as incentivadoras do vício. Processos milionários e reclamações da sociedade organizada que já conseguiram praticamente abolir as peças publicitárias dos cigarros. Pepsi e Coca se resguardaram antes que uma crise enorme se alastrasse.

Não veremos mais os lindos ursinhos polares brancos oferecendo Coca-Cola para o pequeno filhote, nem caminhões de Natal iluminados, Papai Noel bebendo o refrigerante e largando aquele “Aaahhh”, que institivamente nos remetia ao sabor da coca. As propagandas mais adolescentes da Pepsi também devem ganhar formato mais adulto.

Médicos afirmam que a atual geração de crianças não deve alcançar longevidade, principalmente pela obesidade e mal alimentação. Sabemos que a televisão é o meio que mais influencia e na alimentação não seria diferente. É, talvez funcione com aqueles que nunca experimentaram a deliciosa bebida, feita mesmo pra viciar (hahaha), pois não acredito que a falta de publicidade vai diminuir o consumo do refrigerante. Principalmente porque nós adultos damos o mal exemplo.

Em prol dos bons textos

Mestre GraçaDeve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” (Graciliano Ramos)

 

Palmas. Silêncio. Contemplação. Vivo a contemplar Graciliano Ramos. O estudei academicamente e foi em nome de seu estilo, seus propósitos e sua forma de escrever que abandonei a carreira acadêmica. Em meu Trabalho de Conclusão de Curso comecei a estudar teoricamente e a formular pesquisa sobre meu já preferido escritor. E sim, ele escreve Literatura de forma jornalística. Me encontrei: estavam ali minhas duas paixões, em Graciliano.

Daí em diante, debrucei-me sobre toda sua obra, enorme para minhas modestas pretensões. Mas seu modo de escrever é único: enxuto, conciso, direto. Todas as características que me atraem e me norteiam e que deveriam nortear todos os jornalistas. É uma pena. Isso não ocorre.

Com a imposição da notícia mais rápida, mais dinâmica, os sites de notícias deixaram de lado a qualidade do jornalismo diário, factual. Como querem dar “furo” nos concorrentes, escrevem pouco, ruim e cheio de “floreios”. Muitos adjetivos para uma coisa só. Aff, será que não vêem que adjetivar cansa o leitor, tira sua atenção da informação importante? Ou, talvez, essa seja a meta.

Os impressos teriam a faca e o queijo na mão frente aos sites, pois têm maior tempo e espaço para escrever. Deveriam aprofundar o que os sites já noticiaram, sendo diretos e corretos como pede o bom jornalismo. Porém, a realidade é outra. Os jornais parafraseiam os sites e pouco aprofundam suas informações. A forma de escrever difere pouco. Ah, mestre Graça, você não gostaria dos textos jornalísticos do jornalismo alagoano atual.

Todo jornalista deveria ler uma obra de Graciliano, no mínimo. E ler devagar não só para entender o enredo, mas também para aprender um pouco a escrever. Veriam que deve-se usar mais pontos finais, menos vírgulas e travessões e evitar o “que”. Essa palavrinha parece o coringa dos jornalistas: eles vão o colocando em orações intercaladas, e colocam outros e outros e depois nem completam a informação vinda antes do primeiro “que”. É um queísmo danado, o qual já é execrado pelos próprios gramáticos.

Conheço poucos que assim escrevem, mas destaco que também não conheço todos. Minhas congratulações a Roberto Vila Nova (Tudo na Hora) e Carla Serqueira. Ah, vocês usam bem o ponto final. A gente consegue respirar e parar pra pensar. Carla, suas matérias grandes de fim de semana nem assustam, pois a leitura sem enfeites e floreios nos conduz e os leitores com certeza são levados até o fim entendendo tudo.

É Graciliano, você é cada vez mais necessário.

A cada dia uma nova alegria

 

É muita felicidade ver você acordar
Ver teu rosto inchado de cansaço.
É satisfatório ver um novo dia começando
E eu ao seu lado.
É felicidade esperar meia hora para você despertar
E, depois disso, ouvir você cantarolar músicas.
Todo dia é assim: uma música.

E você sai com seu jeito sempre apressado
E nunca quer comer algo.
E, quando sai, a música cessa e fica o vazio.

É alegria ver você chegar e voar para um banho
E brincar com Killer.
Mas, antes de tudo isso, me beija; vários beijinhos.
É alegria ver você comer com gosto, fazendo “bico”
É ver você dançar, desajeitado, só para me ver sorrir.

Felicidade é ver sua risada alegre, sincera
E ver como você é humano
É receber cada carinho adorável, várias vezes ao dia.
Felicidade é gargalhar junto, vendo TV
É acreditar que todo dia você vai correr na praia.
Alegria é reclamar que você deixa tudo espalhado
E você sempre dizer: “Eita, foi mal” ou “Sim, mamãe!!”

Felicidade é você me agarrar pra dormir
Me beijar dormindo e nunca lembrar
É me divertir com você.

Felicidade é recomeçar tudo isso, de novo, novamente.
E felicidade é ver teu brilho nos olhos e sorriso quando fala em filhos
É poder planejar uma vida com você
Felicidade é saber que você está aqui
Toda noite
E te abraçar
Alegria e felicidade é saber que você me escolheu
E que ainda temos muito, muito pela frente.

PS. Felicidade também foi ouvir os sorrisos dele ao ler esse texto e sorrir muito quando terminou. A recompensa também foi de grande alegria.